quinta-feira, abril 27, 2006

TITANIC
As plataformas de embarque foram retiradas, o silvo da sereia do Titanic fez vibrar as entranhas dos presentes. Uma multidão vibrante invadira os cais vizinhos e as cobertas dos barcos ancorados nas proximidades. Os observadores mais audaciosos tinham trepado para improvisados miradouros para melhor desfrutarem o espectáculo. Na coberta do transatlântico, os passageiros contemplaram do alto a multidão que acorrera ao cais em despedida. O comandante transmitiu ao piloto a ordem de dirigir as manobras dos rebocadores.
- Os rebocadores estão a postos, senhor!
Cpt. Smith - Dê a partida!
Com a pressão de regime das caldeiras, o Titanic soltou amarras uma a uma, as últimas foram as da proa quando os rebocadores começaram a manobrar.
John - Olha a Catherine a sorrir...
Camille - A minha menina querida.
Arthur - Olhem os Odell no convés.
Harriett - Meus queridos, não sabia que vinham na viagem...
Richard - Isto mais parece um hotel.
George - Vês as pessoas lá em baixo, meu querido? Vamos dizer-lhes adeus e elas vão desejar-nos boa viagem.
Richard - Posso pegar no Charlie para ele dizer adeus?
George - Claro que podes. Olha como ele latiu!
Richard - Diz adeus, Charlie. Adeus!
Em terra a multidão explodiu num aplauso festivo. Foi de facto maravilhoso, milhares de pessoas a acenar, a dizer adeus ao navio. Foi emocionante. Muitos lançaram ao ar os seus chapéus e um mar de lenços ondeava na multidão em sinal de júbilo.
Edward - Olá. Uma moça tão bonita em viagem?
Dorothy - Na verdade trabalho como ama para uma família da primeira-classe. Dá-me licença que me despessa da Inglaterra por um instante?
Edward - Força. Segure-se na amurada. Tem alguém para se despedir?
Dorothy - Na verdade não.
Edward - Nem eu...aliás tenho sim... Adeus Sr. Dikinson! Obrigado por tudo, Sr Dikinson!
Era impossível permanecer indiferente à euforia colectiva que contagiava todos os presentes. Quando partimos espreitei por uma enorme janela da belíssima sala de jantar. E as pratas e a toalhas... tudo era bonito e novo.

A multidão que enchia o cais estremeceu e muita gente começou a andar ou a correr junto ao mar como que resistindo a deixar partir o enorme transatlântico. Pouco a pouco os rebocadores foram tirando o gigante do porto. O Titanic estava já em condições de começar a navegar com os seus próprios motores e foi ganhando velocidade sob o impulso das hélices. Deixou para trás o cais 38 e quando acabava de passar o 39 sobreveio o primeiro mau presságio! Na parte exterior do cais estava fundeado o paquete New York e o Oceanic, navios de longo curso. A enorme sucção das hélices do Titanic e o vento que soprava fizeram com que os cabos que mantinham o New York amarrado esticassem ao máximo e cedessem com um rangido estrondoso. No meio de tiros de pistola e disparos de canhão, de repente o New York estava à deriva. Ao ver os seis pesados cabos saltarem pelo ar, a multidão que se tinha aglomerado no cais retrocedeu em pânico. A passagem do Titanic pelo pequeno canal fez com que o New York se soltasse das amarras e começasse agora a aproximar-se do Titanic em rota de colisão.

Para a semana, o desfecho desta partida agonizante e a inquietação de Camille Barks ao ver que na listas de passageiros se encontra o passageiro David Fraser. O que tem ele que a deixa tão inquieta? É o que vamos saber na próxima sexta-feira.

2 comentários:

Alencar disse...

Que mistério será este????
Nossa tá muito legal a história, venha logo sexta-feira, hehehe.
Parabéns.

lorenna disse...

Nossa!!!!Imperdível esse mistério!
Muito legal a história...
Beijos
Obrigada pela visita...
=)