O FIM DE JOHN JACOB ASTOR
Era o homem mais rico a bordo do Titanic e dos mais abastados no mundo inteiro. Com 48 anos de idade, era casado com Madeleine Talmage de apenas 17 anos de quem em abril de 1912 já esperava um filho. A viagem pela Europa foi uma forma de se afastar da arrogância da sociedade americana que teimava em relembrar que este não era o seu primeiro casamento, e que tinha filhos mais velhos do que a sua esposa atual. Astor faleceu no Titanic enquanto a sua esposa sobreviveu. Mas o que aconteceu realmente com Astor na noite de 14 para 15 de abril de 1912? Na série de tv Titanic de 1996, John Jacob Astor simplesmente deixa de aparecer nos momentos finais do naufrágio no bar enquanto bebe com outros cavalheiros, já em Titanic de James Cameron, ele é visto pela última vez junto da escadaria principal quando a enorme onda gerada pela queda da chaminé embate com toda a força na cúpula de vidro. Na série de 2012 de Julian Fellowes, Astor é retratado na água com o seu colete salva-vidas procurando pelo seu amigo Widener e morrendo junto com este quando a chaminé lhes cai em cima. "Widener! É você? É você, Widener? Widener! Aguente-se, os botes vão voltar a qualquer momento!"
Qual destes finais parece o mais acertado? Retornemos ao local do naufrágio...
Uma semana depois do naufrágio, o navio Mackay-Bennet foi fretado para resgatar os corpos no mar, recuperando num total de 306 vítimas. A visão era assustadora, na sua maioria, os corpos estavam na vertical, flutuando junto a um amontoado de objetos e destroços do navio. Muitos dos corpos tinham no rosto ainda estampado o horror da dor causada pelo frio, outros uma cara contorcida pelo medo e pelo pânico. Muitos tinham as mãos fechadas porque apertavam junto a si as suas roupas ou objetos que agarraram nos momentos de agonia. Outros corpos apresentavam-se com pernas e braços mutilados como se por uma explosão. Praticamente todos os relógios dos mortos estavam parados nas 2h20, hora em que terão entrado na água gelada quando o Titanic afundou. No dia 20 de Abril, um outro navio SS Bremen a caminho de Nova Iorque deixa os seus passageiros e tripulação horrorizados com o cenário que encontram no caminho. Haviam centenas de corpos boiando, o mar estava repleto de equipamentos de camarotes, cadeiras de convés, pedaços de madeira, espreguiçadeiras, grandes pedaços de cortiça, mas como tinham conhecimento que a tarefa pesada de resgate dos corpos tinha sido legada ao Mackay-Bennet, decidiram continuar o seu destino. E durante todo esse dia, os tripulantes do Mackay-Bennet continuaram o seu trabalho árduo e doloroso de içar os corpos gelados para o convés. Os crânios e membros de muitas das vítimas encontravam-se esmagados, outros viram mulheres com os seus filhos agarrados nos braços, outra um pequeno cachorro do seu lado, alguns rostos estavam tão feridos que era quase impossível identificar as pessoas. Os corpos daqueles que se tornaram impossíveis de se reconhecer, cerca de 30, foram sepultados no mar pelas 20:00 num breve serviço fúnebre. Contudo um corpo horrivelmente mutilado e completamente coberto de fuligem foi resgatado e identificado. "Nº 124 - idade estimada 50 - masculino, cabelos claros e bigode. Roupas: Terno de sarja azul, lenço azul com "AV", cinto com fivela dourada, botas marrons com sola de borracha vermelha, camisa de flanela marrom, 'JJA' na parte de trás do colarinho. Objetos: Relógio de ouro, botões de punho de ouro, anel de diamante com três pedras, 225 libras em notas, 2440 dólares em notas, 5 libras em ouro, 7 em prata, 5 francos, caneta de ouro e uma agenda." Graças à identificação da camisa "JJA", identificou-se o corpo como sendo o de John Jacob Astor, o homem mais rico a bordo no Titanic. E, estando o seu corpo mutilado e coberto de fuligem, supõe-se que terá sido uma das vítimas por esmagamento aquando da queda da chaminé dianteira. O fim de Astor apresentado no vídeo deste post, é portanto o mais fiel ao seu final, e faz parte da série de 4 episódios deste ano de Julian Fellowes.