sexta-feira, março 19, 2010

ESPECIAL TITANICFANS

ASSASSINOS A BORDO DO TITANIC PARTE I
William Mintram
Existiam dois assassinos a bordo do Titanic, hoje falaremos de um deles, William Mintram.
Mintram como fogueiro no Titanic vivia num verdadeiro inferno depois de ter assassinado a sua esposa, vivendo como escravo nas salas escuras e quentes das caldeiras, para fazer o enorme navio avançar sobre o Atlântico com os mais ricos a bordo. Mintram morreu a bordo do malogrado navio, indo para o fundo escuro do oceano frio.
A história trágica começa quando William Mintram casa com Eliza May Rose Veal no Verão de 1886, 26 anos antes do Titanic afundar. Nascida em Outubro de 1868 em Southampton, a noiva Eliza tinha apenas 17 anos quando se casou. O marido dela - que se tornaria o seu assassino - era um ano mais velho. Provavelmente o jovem casal foi forçado pelas circunstâncias a casar. É provável que Eliza, ainda adolescente, teria acabado de descobrir que estava grávida - a sua filha, Rosina (por vezes tratada como "pequena Rose") nasceu no início do ano seguinte.
Em 1901, no décimo quinto aniversário de casamento, o casal vive no nº 63 da Winton Street, (St Mary's Parish em Southampton), já com cinco filhos. Pouco depois de Rosina ter nascido, nasceu o pequeno William, e de seguida a pequena Eliza. Após estes, dois filhos seguiram, Charles e George. Mas enquanto fogueiro, William Mintram apresenta-se orgulhosamente como chefe de família, sua esposa é quase práticamente anônima - identificada apenas pelas iniciais 'E. R.' Sem sobrenome e aparentemente pouco levada em conta, antes do final do ano seguinte, ela daria entrada num hospital e serida dada como morta. Tudo aconteceu pouco depois de seu aniversário de 34 anos. Diziam os jornais de época:

"Fogueiro matou a esposa. Western Assizes

William Mintram, 33, um marinheiro, foi julgado pelo homicídio doloso de Eliza May Mintram Rose, sua esposa, em Southampton, em 18 de outubro [1902]. Evans Austin, e EL Craik apareceram para a acusação representado a casa do Tesouro britânica; Emanuel foi o advogado de defesa. Depreende-se a evidência de que o prisioneiro era um fogueiro, que havia sido contratado por uma grande empresa de transporte marítimo de Southampton por muitos anos, e, durante todo o tempo que desempenhou a sua função, teve um desempenho exemplar. O preso e sua esposa não eram felizes. ÀS 10:30, nesse dia, o prisioneiro voltou e encontrou o jantar preparado para ele e para a única pessoa presente que era o seu filho, William. Este rapaz deu provas de que a mulher estava sentada em uma cadeira quando o preso entrou e deu uma bofetada no rosto. Após um curto espaço de tempo, o prisioneiro se levantou e pegou uma faca e esfaqueou a sua esposa nas costas, resultando na sua morte pouco depois. Um policial que foi chamado ao local afirmou que cerca de meia hora antes da ocorrência, ouviu brigas na casa, e teve que dispersar a multidão que tinha ido ao local por curiosidade. O prisioneiro justificou-se, e afirmou que sua mulher continuava incomodando-o quando ele se queixou de que as botas do menino tinham sido penhoradas por ela para poder comprar bebidas alcoólicas. Ele teve assim uma boa razão para se embebedar, e sua esposa, segundo se recorda correu na direcção dele, e que de nada mais se lembrava. O júri retornou um veredicto de homicídio culposo, o juiz condenou-o a doze anos de trabalhos forçados. (The Times, segunda-feira 24 Novembro, 1902, p. 11)"
O juiz, neste caso foi o juiz Bigham, que viria depois a presidir o Inquérito ao naufrágio do Titanic junto com Lord Mersey, Presidente do Tribunal e Comissário de Naufrágios.
Podemos considerar que William Mintram teve muita sorte. Hoje em dia alguém que esfaqueou uma pessoa indefesa nas costas, ocasionando a sua morte, na maioria das vezes é considerado culpado de assassinato, não importa o motivo da provocação. Nem é o alcoolismo qualquer forma de defesa em tribunal. Mas é considerável evidência empírica que os júris eram muitas vezes relutantes ao condenar alguém por homicídio, quando este acto era consideram como uma ofensa capital, com uma pena de morte obrigatória nessa época por enforcamento.
Para William Mintram, ser condenado por homicídio teria significado ter entregue seus cinco filhos que iriam crescer como orfãos e uma sentença de prisão perpétua. Contudo, condenado por homicídio, ele cumpriu apenas três anos de prisão.
A filha mais velha Rosina, que foi nomeada, depois que sua mãe morreu, como cabeça da família, viria a casar com um fogueiro, também ele iria servir no Titanic. Casou com Walter Hurst em Southampton, em 1907. Rosina tinha 20 anos, era pouco mais velha que sua mãe quando esta se casou. William Mintram, já dois anos depois de ter saído da prisão, deu o seu discurso tradicional como pai da noiva. Alguns anos mais tarde, William Mintram Jr, que em 1902 tinha sido a única testemunha entre os filhos do assassinato abrupto de sua mãe, emigrou para o Canadá. A ele logo se juntaram os seus irmãos. Em 1912, entretanto, William Mintram encontrava-se a viver na casa ao lado de sua filha Rosina. Mintram e o seu genro Hursts viveram nos números 15 e 13 da Chapel Road, respectivamente. A White Star estava apenas a poucos metros de distância - o que fez com que os dois homens trabalhassem para a White Star Line, como também Charles Hurst, o pai do marido de Rosina Walter (Wally). Todos os três homens estavam no Titanic juntos. Não há nenhuma ocorrência registada sobre William Mintram, naquela noite fatídica Abril. Mas Walter Hurst disse que seu pai Charles, que estava na casa das caldeiras, jogou um pedaço de gelo sobre sua cama e disse: "Acorda, Wally, nós batemos num iceberg." Wally foi o único do trio a voltar. Ele saltou para o mar "cerca de cinco minutos antes do Titanic afundar." Ele foi puxado para um barco salva-vidas. Em Southampton, a notícia surgiu lentamente. The Daily Sketch mostrou uma fotografia de Rosina Hurst, outrora Mintram, de pé na porta de sua casa a nº 13 de Chapel Road. A legenda da foto explica que Rosina encontra-se a ler sobre a notíca da sobrevivência de seu marido - mas também da morte de seu pai e seu sogro. A casa permaneceu vazia, não existia mais o avô Mintram que adorava ver o bebê George nos braços de Rosina. Mas Rosina teve pelo menos o seu marido de volta a casa.
Quando Mintram entrava na prisão em 1902, um outro assassino que também seguiria a bordo do Titanic, estava prestes a sair... é dele que falaremos no próximo post.

2 comentários:

Rodrigo Aparecido Piller disse...

Muito interessante a história deste fugueiro do Titanic... Isto serve para vermos que variedade de pessoas e de histórias haviam a bordo. Adorei o post,,, Parabéns amigo! Sempre com boas histórias e sempre fazendo revelações! Abraço!

Alencar Silva disse...

Post surpreendente. Uma história que não conhecia, assim como muitas outras.
Excelente pesquisa, parabéns...