sábado, dezembro 13, 2008

UM FINAL INFELIZ
Michel Navratil nasceu em Szered, Eslováquia, onde viveu parte da sua vida, mais tarde mudou-se para a Hungria, e por fim em 1902 foi para França onde se tornou alfaiate. Casou-se a 26 de Maio de 1907 no distrito de Westminster em Londres com a italiana Marcelle Caretto. Tiveram dois filhos, Michel Marcel que nasceu em 1908 e Edmond Roger nascido em 1910, (Lolo e Momon), entretanto, no ínicio de 1912 o negócio de família atravessava uma crise acabando por arrastar consigo o casamento. Michel dizia que Marcelle mantinha um caso extraconjugal. Com efeito o casal separou-se e os meninos ficaram com a mãe. No início de Abril de 1912, as crianças foram passar a Páscoa com o pai, quando Marcelle foi para os ir buscar de volta, eles tinham desaparecido. Navratil tinha decidido ficar com os meninos e levá-los com ele para a América. Após as férias em Monte - Carlo, antes que Marcelle lá chegasse, navegaram para Inglaterra onde permaneceram no Charing Cross Hotel, em Londres. Comprou bilhetes de segunda classe (bilhete No.230080, £26) e embarcou no Titanic em Southampton, os meninos foram registrados como Loto e Louis. O nome de Navratil por sua vez passou a ser “Louis M. Hoffman”, foi adoptado do seu amigo Louis Hoffman, que o ajudou a sair de França com as crianças.
No Titanic quando lhe questionavam pela mãe dos meninos ele dizia que a “Sra. Hoffman” tinha falecido. Ele raramente perdia os meninos de vista ou os deixava com alguém, excepto uma vez que, para descansar um pouco e ir jogar cartas com outros passageiros, pediu a passageira Bertha Lehmann, uma menina suíça que só falava francês mas nenhum inglês, para prestar atenção aos meninos por algumas horas.
A bordo, o Sr. Navratil escreveu a sua mãe na Hungria, perguntando se a sua irmã e o seu cunhado não se importariam de ficar com os meninos; se possivelmente como alternativa não podessem permanecer na América.
Na noite do naufrágio, Michel foi ajudado por um outro passageiro, vestiu os meninos e trouxe-os para o convés dos botes salva-vidas. Quando o segundo oficial Charles Lightoller organizou um cerco de marinheiros em volta do desmontável D para impedir que a multidão passasse e gritando que só mulheres e crianças podiam ir no bote, Navratil conseguiu fazer passar os meninos por entre esse cordão humano. Michel, Jr., recordou que imediatamente antes de o colocar no bote, o seu pai deixou-lhe uma mensagem final, “meu filho, quando a tua mãe te vier buscar, de certeza que virá, diz-lhe que eu a amei muito e ainda a amo. Diz-lhe que eu a vou esperar, e que vamos ficar todos juntos em paz e felicidade no Novo Mundo.”
Navratil morreu no naufrágio. Os meninos adormeceram durante a noite e só acordaram quando viram o Carpathia já pela manhã. Uma vez a bordo, eles só entendiam e falavam francês. A passageira Bertha Lehmann que tinha tomado conta deles no Titanic sobreviveu mas encontrava-se doente (sendo internada na chegada a Nova Iorque no St. Vincent's Hospital). Veio então Margaret Hays, sobrevivente no bote 7 e passageira de primeira-classe tomar conta deles. "Os órfãos Navratil" ficaram sobre a tutela dela em sua casa em Nova Iorque com a supervisão da comissão de imigração de menores até que algum familiar os reclamasse. Muitas mulheres reivindicaram serem as mães das crianças ou familiares próximas na tentativa de se tornarem conhecidas. Contudo, Marcelle Navratil, alheia à hipótese dos filhos terem qualquer ligação à maior tragédia da História da Navegação, reconheceu petrificada e incrédula as fotos dos seus meninos no meio de muitos artigos de jornal sobre a tragédia, e após vários contactos desesperados, foi levada de imediato para a América pela White Star Line onde se pode finalmente reunir aos seus filhos a 16 de Maio, um dia depois do enterro do marido. Mãe e filhos voltaram para França no navio Oceanic. Marcelle Navratil, a mãe dos meninos, faleceu em 1974. Edmond Roger faleceu em 1950, com 43 anos, por sua vez Michel, o mais velho, veio a falecer em 2001, não sem antes em 1996 ter ainda visitado pela primeira vez desde 1912 a sepultura do seu pai no cemitério. A história emocionou o mundo em 1912. A fasquia provocada pelo ciúme infundado de Navratil foi colocada demasiado alta e o preço pago foi a sua própria vida, colocou até em risco a vida dos seus próprios filhos, poderia até ter desvastado por completo a vida de uma mãe que, afinal, sempre lhe tinha sido fiel.

2 comentários:

Rodrigo Aparecido Piller disse...

Depois os desentendidos dizem que não há na história real do Titanic algo que possa emocionar e deixar intrigado...
Esta história dos irmãos que se salvaram é fascinante, eu mesmo tenho vários docs onde Há depoimentos de um dos irmãos já idoso. É emocionante ...

Alencar disse...

Que legal...
Também havia planejado falar deles no próximo ano, hehehe...