domingo, setembro 04, 2005

WHITE STAR LINE
A White Star Line surgiu, em Liverpool, fundada por Henry Threlfall Wilson e seu sócio, John Pilkington, em 1845. Iniciara suas atividades alugando o bergantim* "Elizabeth". O seu primeiro navio, o IOWA, foi comprado em 1849. Em 1857, Pilkington foi substituído por um novo sócio, James Chambers; seis anos depois, a companhia adquiriu seu primeiro navio a vapor, o Royal Standard, com 2.033 toneladas. Num estranho presságio, voltando de sua viagem inaugural e navegando a vela rumo a Melbourne, o barco colidiu com um grande iceberg, em 4 de abril de 1864. A despeito dos prejuízos maiores sofridos pelo cordame e os mastros, inclusive os de sustentação das velas de popa, o casco ficou praticamente ileso e a maquinaria a vapor continuou a funcionar com perfeição - o navio ancorou no Rio de Janeiro para reparos. Por volta de 1869, seis novos navios já estavam encomendados pela White Star Line. Os dois primeiros navios foram batizados de Oceanic e Atlantic - dando início à tradição de nomes terminados em "ic". Em muitos aspectos, o Oceanic podia ser visto como o primeiro navio de linha moderno e passou a ser amplamente imitado. Em 1873 houve a perda do Atlantic, após colidir com uma rocha no litoral da Nova Escócia, perto de Halifax. Envolto por uma tempestade que o obrigou a consumir quase todo o combustível existente a bordo. Foi o pior acidente marítimo até então, e nele morreram 546 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. A comissão de inquérito instaurada posteriormente chegou a conclusão de que os estoques de carvão eram insuficientes para completar a viagem. A White Star Line contestou veementemente tal veredicto. Será que a White Star Line já estava condenada desde cedo?

Glossário:

*Bergantim - Antigo navio de vela, geralmente com armação de brigue** e que era armado com peças de fogo.

**Brigue - Navio a vela, de 2 mastros. O maior deles é inclinado para trás.

sábado, setembro 03, 2005

JOHN (JACK) BORLAND THAYER JR.
Um dos testemunhos para mim mais marcantes do Titanic é o de Jack Thayer, passageiro de primeira classe, de apenas 17 anos. Foi este Jack que serviu de inspiração a James Cameron para o papel interpretado por Leonardo DiCaprio na realização do épico do cinema. Jack Thayer vinha de regresso da Europa junto com o seus pais, era filho do presidente das companhia ferroviária da Pensilvannia. O primeiro dia de viagem passou-o no seu camarote contíguo ao dos pais, mas os restantes dias desfrutou-os da melhor forma, visitou a ponte, participou dos jantares de gala de primeira classe onde conheceu algumas das pessoas mais ricas e famosas do mundo. Num café depois de jantar, fez um amigo, Milton Long de 29 anos, que o iria acompanhar pelo resto da noite. Jack estava no seu camarote no momento da colisão, pouco se apercebeu, só instantes depois é que começou a ouvir alguma agitação nos corredores e resolveu saber o que acontecia, viu que era sério. Quando os botes começaram a ser descidos, Jack perdeu os pais de vista no meio da confusão. Ficou apenas com o amigo Milton no convés do Titanic à espera que viesse a tal ajuda que se ouvia falar, julgava que os pais estavam já num bote, uma vez que não os encontrava. Quando Jack e Milton perceberam que essa ajuda não vinha a tempo resolveram que teriam de fazer algo para se salvarem. Viram as pessoas que saltavam para a água e gritavam desesperadas. Jack e Milton passaram para o lado de fora da amurada. Não se despediram, nem trocaram mensagens que um ou outro pudesse dar se sobrevivesse pois pensavam que isso não iria acontecer – “Vens, não é?” – Perguntou Milton, ao que Jack respondeu : - “Vai andando, vou já ter contigo.” – Milton saltou, Jack nunca mais o voltou a ver. Jack conseguiu chegar a um bote e salvar-se. No navio Carpathia, Jack reencontrou a sua mãe que lhe perguntou prontamente pelo pai. Foi então que compreendeu que o seu pai não estava num bote como ele julgava antes. Aqui ficam umas palavras escritas por Jack Thayer em reflexão ao Titanic.
“Havia paz e o Mundo ganhava um novo sentido. Nada fazia prever de manhã o que se iria passar durante a noite. Parece-me que o desastre estava eminente, e não foi só o acontecimento que fez o mundo esfregar os olhos e acordar, mas também acordar para sempre e manter-se a um ritmo acelerado desde então… Cada vez menos paz, cada vez menos alegria e felicidade.
Para mim, o Mundo de hoje acordou a 15 de Abril de 1912.”
Jack Thayer, sobrevivente do Titanic.