sexta-feira, setembro 02, 2005

MILLVINA DEAN
Millvina Dean com apenas dois meses de vida, estava a bordo do mais famoso transatlântico da sua época, o RMS TITANIC. Sendo levada pelos pais, com o irmão, para os Estados Unidos, em busca do sonho de todos os imigrantes da época: conquistar a América. O projeto de ter uma tabacaria e uma casa em Kansas City naufragou junto com o navio. Naquela noite fatídica e amargamente fria, salvou-se no colo da mãe Ettie, no bote 13, no meio do Atlântico Norte. Tinha nascido há nove semanas e só foi saber que ela, o irmão Bertie e a mãe eram sobreviventes da desgraça muitos anos depois. O pai ficou para trás e seu corpo nunca foi resgatado. Integra a lista dos 1.653 mortos. A família Dean, que tinha um pequeno pub em Londres, viajava de terceira classe. Lúcida e falante, a sobrevivente mais nova do desastre garante que é saudável não beber água. Também evita se estressar rememorando o pior da história do naufrágio. Não quer nem ver o que sobrou do transatlântico fora d’água ou se recordar daquele dia através de documentários ou filmes. Millvina, inclusive, mora bem longe do mar: em New Forest, cerca de 15 quilômetros de Southampton. Mesmo assim, dois quadros com desenhos do Titanic estão pendurados na parede de sua casa. Solteira, sem filhos, ela passou a maior parte de seus anos trabalhando como secretária em firmas de engenharia. Antes da Segunda Guerra chegou a fazer mapas cartográficos e só reviveu o drama do Titanic depois que ele foi localizado pela expedição de Robert Ballard, em 1985. Acabou se tornando a estrela principal das convenções especializadas na tragédia, organizadas por Sociedades do Titanic espalhadas pelo mundo.

quinta-feira, setembro 01, 2005

CONDESSA DE ROTHES
No bote nº. 8, Mary Young, Gladys Cherry, Mrs. F. Joel Swift e outras remaram. Mrs. William R. Bucknell verificou com orgulho que, enquanto remava perto da condessa de Rothes, um pouco mais adiante, a sua criada remava junto da criada da condessa. A condessa manobrava o leme.
Mais tarde, o marinheiro Jones, responsável pelo barco, explicou ao jornal "The Sphere" a razão que o levara a encarregá-la daquela tarefa: "No meu barco havia uma mulher notável; quando vi a forma como se comportava e ouvi a forma enérgica a calma como falava às outras, compreendi que ela valia mais do que qualquer dos homens que tínhamos a bordo". À Comissão de Inquérito americana, talvez por lhe faltar a ajuda da impressa, Jones descreveu a situação em frases menos elegantes: "Ela estava sempre a dar opiniões, de modo que a pus a conduzir o barco".
Mas não havia dúvidas do que ele pensava acerca dela. Depois do salvamento, Jones removeu o numeral "8" do salva-vidas, mandou-o emoldurar e enviou-o à condessa como prova de admiração. Ela, por sua vez, nunca deixou de lhe escrever todos os Natais.