domingo, julho 17, 2011

RUBÁIYÁT DE OMAR KHÁYYÁM
Segundo a lenda, uma cópia valiosíssima do poema árabe Rubáiyát de Omar Khayyám era transportada no Titanic. A quem pertenceria? Na lista de passageiros podemos encontrar claramente 79 pessoas cujo nome é herdado do árabe, mas fontes indicam que estavam 165 árabes a bordo do Titanic sobrevivendo apenas 38. Contudo no livro "Titanic - Women and Children First" oficialmente constavam 154 sírios no Titanic e destes 29 se salvaram: quatro homens, cinco crianças e vinte mulheres. Na sua larga maioria, todos embarcaram em terceira-classe excepto quatro em segunda-classe. Outros dizem que o livro era uma encomenda de um investidor judeu que o fez transportar no Titanic para o receber em Nova Iorque. O livro serviu de mote até para um jogo para computador Titanic Adventure Out Of Time. O Rubáiyát era maravilhoso de um valor inestimável, continha 1051 pedras semi-preciosas colocadas e era folheado a ouro de 18 kilates, era colorido com 5000 peças e os ornamentos em ouro de 22 kilates. Mais maravilhoso que o livro em si, eram os seus poemas, seguem abaixo alguns trechos.
RUBÁIYÁT I
Debaixo de um arbusto, um pão e uma garrafa
de vinho e os meus poemas: tudo o que preciso.
E tu, que do meu lado cantas no deserto,
e o deserto se torna, então, no paraíso.
RUBÁIYÁT II
Entrado no universo, sem saber porquê,
nem de onde, tal qual a água, queira ou não, a fluir;
e fora dele, como o vento em descampado
soprando, queira ou não, sem saber para onde ir.
RUBÁIYÁT III
No céu, à mão esquerda da alvorada; eu sonho.
Na taberna, uma voz escuto na algazarra:
“Despertai, meus pequenos, e enchei bem o copo
antes que seque o vinho da vida em sua jarra”.

Ah! Enche o copo! De que serve repetir
que o tempo sob os nossos pés já vai fugindo?
O amanhã não nasceu e o ontem já morreu,
por que me hei-de importar, se o dia de hoje é lindo?

E ao côncavo invertido que se chama céu,
sob o qual rastejaram o vivo e o que morreu,
não ergas tuas mãos, pedinte. Ele é impotente
no seu girar, tal qual o somos tu ou eu.

O dedo que se move escreve, e, tendo escrito,
se vai. E toda a argúcia e piedade, entretanto,
não o trarão de volta a mudar meia linha,
nem as palavras podes apagar com o pranto.

E se o vinho que bebes, o lábio que oprimes
findam nesse nada que a tudo dá sumiço,
imagina, então, que és; não podes ser senão
o que hás-de ser: nada. Não serás menos que isso.

Façamos o que é mais do que ainda há por fazer
antes que também nós ao pó vamos enfim.
O pó vai para o pó, sob o pó vai jazer
sem vinho, sem canções e sem cantor... sem fim.

É tudo um tabuleiro de noites e dias;
os homens são peças, e o fado temerário
com elas joga, e move, e toma, e dá o mate,
e uma a uma as recolhe, e vai guardar no armário.
Façamos o que é mais do que ainda há por fazer
antes que também nós ao pó vamos enfim.
O pó vai para o pó, sob o pó vai jazer sem vinho,
sem canções e sem cantor... sem fim.

1 comentário:

Ana Rita Correia disse...

Se calhar andam a vaguear pelo oceano as pedras preciosas :)
É uma pena...