domingo, outubro 10, 2010

CARTA DE SOBREVIVENTE EM LEILÃO
Laura Francatelli (na foto, à direita), de Londres, disse que ouviu "um barulho horrível", quando o barco se afundou e que "depois vieram os gritos e os gemidos" de 1.500 passageiros que se afogavam. O seu relato foi registado numa declaração assinada pelo inquérito oficial britânico para o desastre. Espera-se que este documento histórico chegue até às £15,000 quando for leiloado, em Wiltshire, no próximo dia 16 de Outubro. Miss Francatelli, que tinha 31 anos na época, seguia na viagem como secretária de sir Cosmo Duff-Gordon e sua esposa, Lady Lucy Christiana. O relato descreve como eles embarcaram num dos últimos botes salva-vidas contendo apenas cinco passageiros e sete tripulantes, admitindo também que não pensaram em voltar para resgatar os sobreviventes. Sir Cosmo paga posteriormente a cada um dos membros da tripulação que estiveram consigo no bote £5 - hoje vale cerca de £300 - o que alguns descrevem como suborno para os calar. Miss Francatelli disse que acordou os patrões quando a água chegou a sua cabine após o navio ter colidido com um iceberg na noite de 14 de Abril. Ela descreve: "Um homem veio até mim para me colocar um colete salva-vidas assegurando-me que era apenas por precaução e que não me deveria preocupar." "Houve um estrondo terrível quando ele se afundou. Depois vieram os gritos e os gemidos." "Quando chegamos ao convés, os botes salva-vidas estavam a descer do lado de estibordo. Notei então que o mar estava mais perto de nós do que durante o dia, e eu disse a Sir Cosmo Duff Gordon "Estamos a afundar." e ele disse: "Rídiculo, vamos embora." De início, o grupo recusou-se a entrar num bote salva-vidas porque não era permitido a Sir Cosmo embarcar, apenas mulheres e crianças. Após insistirem, então, conseguiram lugares num barco menor com capacidade para 40, o bote nº1, que apenas desceu com 12 a bordo. "Não havia mais mulheres naquela hora. O oficial viu-nos e ordenou que entrássemos, e nós dissemos que iriamos se Sir Cosmo pudesse vir também", disse Miss Francatelli. "Então quando eles estavam prontos para descer o bote, dois cavalheiros americanos que vieram do fundo do convés entraram, e assim os oficiais deram ordens para que entrassemos e nos afastassemos do Titanic." Ela disse que eles "estavam muito longe" quando viram o Titanic ir ao fundo. "Houve um estrondo terrível quando ela entrou. Depois vieram os gritos e gemidos. Eu não sei quanto tempo duraram." "Quase não falávamos. Os homens falavam sobre Deus e faziam orações e falavam das esposas. Estávamos todos na escuridão." Ela descreveu como os sobreviventes estavam amontoados no fundo do barco para se aquecerem, até que foram resgatados duas horas após o naufrágio, pelo navio Carpathia. Miss Francatelli morreu em 1967. O documento manteve-se na posse da sua família após a sua morte, e desde então tem estado no poder de dois coleccionadores particulares. A responsabilidade do leilão é de Henry Aldridge and Son, de Devizes, Wiltshire.

1 comentário:

Ana Rita Correia disse...

É sempre arrepiante ouvir os relatos das pessoas que lá estiveram... Mas é bom que ainda existam provas daquilo que realmente aconteceu.
Obrigada por partilhares :)