quinta-feira, abril 27, 2006

TITANIC
Só a presença de espírito do comandante de um dos rebocadores impediu que a tragédia se consumasse. O rebocador Vulcão lançou um cabo à popa do New York de forma a que esse não chocasse com o Titanic. A popa do New York passou a pouco mais de 30 centímetros da amurada de bombordo do Titanic, enquanto a sua proa raspava pelo flanco do Oceanic, abrindo-lhe uma racha de dezoito metros. Precisamente na altura em que a colisão parecia inevitável, o comandante Smith avançou com o motor de bombordo do Titanic que fez o New York afastar-se e manter o navio afastado até uma série de rebocadores, para nosso alívio, o rebocarem pelo cais.

Eu estava na amurada de bombordo, onde tinha assistido ao incidente enquanto ainda permanecia sob os efeitos da impressão causada. Fiquei desconcertado e apreensivo por causa de uma breve conversa que mantive com um passageiro que eu não conhecia. Disse-me que tinha tido medo ao embarcar e ele sem se apresentar perguntou-me se amava a vida...

David - Eu sabia... eu fiquei com medo de embarcar neste navio... O menino ama a sua vida?

Richard - Sim, claro.

À minha resposta afirmativa ele disse-me:

David - Pois bem, o que aconteceu perante os seus olhos, meu jovem, foi de mau agúrio e o melhor que tem a fazer é sair do navio na próxima escala em Cherbourg.

Não dei nenhum crédito aquelas palavras, estava confiante como toda a gente na proclamada segurança do barco e na sua impossiblidade de se afundar. E após uns primeiros instantes de apreensão a estranha conversa foi imediatamente apagada do meu pensamento.

Camille - Richard! Richard! Vem cá. Com quem estavas a falar?

Richard - Um senhor de quem não sei o nome... sobre o incidente.

O meu pai virou-se e disse à minha mãe:

George - Isto é um mau presságio para começar.

E não disse mais nada.

As operações de navegação foram reatadas com normalidade. Southampton começava a distanciar-se... Quando passou pelo porto reservado aos navios da marinha de guerra britânica, o comandante Smith mandou arriar a bandeira, em sinal de saudação aos cruzeiros ali fundeados, que pareciam muito pequenos em comparação com o maior barco do mundo.

2 comentários:

Alencar disse...

Olá, muito legal e emocionante o capítulo de hoje. Não conhecia esta parte do Oceanic e nem o rasgo feito de 18 metros.
Parabéns!!!!
Esperarei ansioso o próximo capítulo.
Abraços...

lorenna disse...

Oi...Parabéns!!!!!!!!
Muito legal o post de hoje...
Essa história fica cada dia melhor;
Beijos
Bom fim de semana...