quarta-feira, abril 05, 2006

TITANIC
John - Não seria melhor ficarmos os três juntos?
George - Não, vai cada um para um lado, eu vou percorrer o convés de alto a baixo, John tu percorres o navio de frente para a popa. Sr. Arthur, procure por aqui talvez esteja junto aos botes. Voltamos aqui em 20 minutos, no máximo. O navio não aguenta muito mais.
Lightoller - Que faz aqui esta bagagem? Tirem-na daqui. Precisamos de espaço. Livre-se disso. Para fora. Vamos. Ela tem de ir. Para trás. Calma!
- Não!
Lightoller - Abra mais espaço.
- Não.
Lightoller - Isso mesmo. Fique alerta.
Ida - Toma, Ellen, vais precisar. Vai à frente, Ellen.
Ellen - Mas a senhora Strauss disse...
Ida - Eu explico-lhe.
Ellen - Ele não vai gostar.
Ida - Que pode fazer-me agora? Como é que ia deixá-lo num momentos destes?
Isidor - Por favor, mete-te num bote e salva-te.
Ida - Não, deixa-me ficar contigo.
Isidor- Não. Por favor, Ida. Entra no bote.
Ida - Não. Estamos juntos há 40 anos. Onde tu fores, eu vou. Não discutas comigo, Isidor. Sabes que não adianta.
Ismay - Importam-se que um senhor idoso como o Sr. Strauss vá com a esposa? Estou certo que ninguém poria objecções a que um cavalheiro idoso como o senhor...
Isidor - Não vou antes dos outros homens.
Ida - Não me separo do meu marido. Nunca. Começámos juntos e, se necessário, acabaremos juntos.
Isidor - Quanto tempo?
Ida - Veremos.
Isidor - Que hei-de fazer contigo?
Dr. O'Loughim - Olá, Lights, estás quentinho?
Lightoller - Agora não, Dr. O'Loughim. Adeus. Só mulheres e crianças. Não posso obrigá-las. Não posso bater-lhe se não querem ir!
Lowe - Saltem.
Lightoller - Que se passa? Vou acabar com isto.
Andrews - Minhas senhoras, têm de embarcar imediatamente. Não há um momento a perder. Não podem andar a escolher entre os botes. Não hesitem. Entrem, entrem.
Lightoller - Talvez venha a precisar disto.
- Esqueci-me da fotografia do Jack e tenho de ir buscá-la. Hitchens - Remem. Abaixar. Vamos, coloquem toda a força. Remem. Remem. Remem. Vamos, remem. Remem. Andrews - Capitão, ali.
Capt. Smith - Voltem, voltem ao navio. Bote 6, volte ao navio.
Margaret - Parem. Temos de voltar.
Hitchens - Não. A sucção vai nos arrastar se não continuarmos.
Margaret - Temos imenso espaço. Digo para voltarmos.
Hitchens - Não! São as nossas vidas agora, não a deles. E eu estou no comando deste barco, senhora. Agora, remem. Capt. Smith - Aqui é o Capitão! Voltem ao navio! Loucos... Margaret - Eis algo que não se vê todos os dias.

Harriett - Vamos exigir que nos reembolsem. Até ao último centavo.

Madeleine - Sabes o que houve?
Astor - Um pequeno rombo. É só por precaução. Estás a ver, querida? É isto que faz flutuar.
Madeleine - Achas que devias fazer isso?
Astor - Porque não?
Madeleine - Podes precisar dele.
Astor - Têm mais do que suficiente. Havia seis na nossa suite. E não faz sentido pormos estas coisas. Não se consegue afundar este barco.
McCawley - Não vou vestir um, senhor. Ele só vai me atrasar. Impedir as minhas braçadas.
Astor - Você está aqui. A 1100 kms da costa. Então não vai querer nada impedindo as suas braçadas?
Os salva-vidas parcialmente cheios que estavam a escassos metros do Titanic, nunca regressaram. A razão disso é um mistério. Como é que alguém podia deixar de dar atenção aqueles gritos?
Astor - Não estejas tão preocupada. Mantêm-nas ao longe até porem tudo em ordem. A minha mulher está grávida. Posso acompanhá-la?
Lowe - Não, Sr. Astor. Não senhor. É melhor não. Nenhum homem entra nos botes até as senhoras irem todas. São muito severos com isso, até nos deram pistolas.
Astor - Não quero apanhar um tiro. Tenham um cuidado especial com esta senhora. Qual é o número do bote, para eu a procurar depois?
Lowe - Quatro. Número 4.
Madeleine - Não me obrigues a deixar-te.
Astor - Eu sigo noutro bote mais tarde. Não te preocupes. Olhe por ela.
Rosalie - Fique descansado, Sr. Astor.
Astor - Até breve querida. Não tarda estaremos juntos.
Lightoller - O rapaz não pode ir. Esse rapaz não vai.
- Ai isso é que vai. Vai com a mãe, tem só treze anos.
Lightoller - Não quero mais rapazes. Acabaram-se os rapazes.
Como estava perdido e às escuras fiquei sentado no salão das crianças até que viesse ajuda. Vinham do fundo do navio sons assustadores, estrondos e rangidos abafados. David - Richard... Sei que estás por aqui. Podes aparecer, estamos entre amigos, venho tirar-te daqui.
Hellen - Nós vimos quando tu entraste!
Foi quando o Sr. Fraser me viu.
David - Ora ora, quem diria. Está com medo, menino Richard?
Richard - Solte-me!
David - Anda lá rapaz, facilita as coisas se não queres morrer afogado.
Hellen - Não sabes como te odeio miúdo!
George - Richard! Richard! Está aqui alguém?
Richard - Pai!
Ela pegou numa faca dos talheres que estavam sobre a mesa e me ameaçou.
Hellen - Bico calado!
George - Ele está por aqui!
O Sr. Fraser ficou junto da entrada escondido. A senhora Hellen segurava-me na boca para que não gritasse. O meu pai entrou e foi atingido pelo senhor Fraser que lhe bateu na cabeça. O meu pai voltou-se e empurrou-o contra uma das mesas do salão. Eu mordi na senhora Hellen que me soltou imediatamente.
George - Foge, Richard! Foge!
Ela agarrou-me pelo casaco enquanto o meu pai lutava com o senhor Fraser. Foi então que eu segurei no candeeiro de mesa e acertei na cabeça dela. E desatei a correr. O Fraser ao ver a mulher caida no chão largou o meu pai que fugiu atrás de mim.
Richard - Pai!
George - Meu pequenino. Tudo está bem. Vamos lá para cima. Tens de ir para um bote.
David - Hellen...
Hellen - Vai atrás deles! Eu fico bem. Muller - Ouçam com atenção. Fui autorizado a chefiá-los em pequenos grupos até aos salva-vidas. Primeiro mulheres e crianças, claro.
Carl - Valha-te Deus, homem! Abre as cancelas e deixa as mulheres passarem!
Muller - As mulheres que avancem. Destranquem os portões! Só as mulheres. Não! Só mulheres! Alto! Para trás! Tranquem os portões!
Carl - Por amor de Deus! Há aqui mulheres e crianças!
Dorothy - Edward. Edward. Meu amor!
Edward - Dorothy. Pensei que não te veria mais. Não nos deixam passar.
Dorothy - Se eu vim até aqui é porque há uma maneira. Anda.
Edward - Deixei o Carl para trás. Não sei onde se meteu.
- Aguente o bote. Tenho de voltar.
Lightoller - Sente-se. Ela é a última.
Andrews - Sr. Lightoller, por que saem os botes meio cheios?
Lightoller - Agora não, Sr. Andrews.
Andrews - Se mandam os barcos embora, não seria má ideia porem algumas pessoas dentro deles. Veja. Vinte e poucos num bote feito para 65? E eu vi um só com doze! Doze!
Lightoller - Não tinhamos a certeza quanto a peso, Sr. Andrews. Os botes podem voltar-se.
Andrews - Dispara-te! Foram testados em Belfast com o peso de 70 homens. Encha os botes, Sr. Lightoller. Por amor de Deus!
Lightoller - Por favor, mais mulheres e crianças.
- Voltem aqui, isto não é uma saída.
Harriett - Nunca tinha pegado num remo, mas penso que sou capaz de remar.
Logo que partiram os primeiros botes começaram a pôr cada vez mais pessoas dentro deles. Em parte porque sabiam que o navio se ia afundar, e em parte porque os botes não ficavam junto ao navio para levarem toda a lotação quando eram postos na água. Um bote cheio de mulheres estava pronto para ser descido. Mas estava demasiado cheio e mandaram que saísse alguém. Uma jovem, uma menina, levantou-se para sair do barco.
Lightoller - Fica.
- Não.
disse ela.
- Vocês são casadas e têm famílias. Eu não.
Foi ao fundo com o navio. Deu a vida dela para que outras pudessem viver. Não há palavras que expliquem a beleza desse gesto. Mas, naquela noite, foi duplicado centenas de vezes conforme os botes partiam. E, ao olhar para os rostos perturbado e vazios dos que foram salvos, perguntamo-nos se foram eles ou os que ficaram para trás quem desempenhou o papel mais difícil.
- Entre primeiro. A senhora tem filhos à sua espera.
- Ainda há outro barco para si.
Wild - Todos para estibordo para endireitar o navio.
O Senhor Fraser percebeu que a situação era grave e nem se preocupou mais com ninguém. Tentou várias manobras para entrar num bote.
Lightoller - Está por aí algum marinheiro?
David - Se quiser, eu vou.
Lightoller - O senhor é marinheiro?
David - Sou velejador.
Lightoller - Se é suficientemente marinheiro para descer por aquele cabo, pode ir.
Ele olhou para o fundo do navio e nem sequer tentou, o Major Butt mandou-o para trás. Ele foi ao camarote e colocou então uma capa de peles da esposa Hellen sobre a cabeça e o marinheiro que o viu disse:
- É melhor que entre neste barco.
Murdoch - Com certeza, com muito gosto.
Harry - Precisam de mais um?
Murdoch - Sim, saltem lá para dentro.
Fraser teve dificuldade em trepar por cima do corrimão finalmente, conseguiu agarrar-se e rolou para dentro do barco.
Murdoch - Foi a coisa mais engraçada que vi em toda a noite.Dorothy - Os botes estão a sair todos.
Edward - Está a inundar-se temos de sair daqui.
Phillips - Preparem os salva-vidas, a proa está a afundar-se rapidamente.
- Atirem-me uma faca!
- Não te esqueças de me a devolver quando voltarmos a Southampton!
George - Continua a subir, Richard.
Phillips - A ir para o fundo de proa para baixo.
- Voltem para a escadaria principal.
Edward - Deixe-nos passar, por favor.
- Voltem para trás, por aqui não passam.
Dorothy - Qual é a tua resposta para isto, com esses grandes punhos?
Edward estoirou com o portão.
Dorothy - Boa.
- Pare com isso. Não podem subir.
Edward - Vamos dançar com os tubarões se não subirmos até à música.
Phillips - Casa das máquinas a ficar inundada.
Primeiro tentaram mantê-los no convés da 3ª classe. Não queriam de maneira nenhuma que fossem para a área de 1ª classe. Quando um passageiro de 3ª classe ia a passar por um portão pequeno e veio logo um tipo que apareceu e empurrou-o para baixo para a terceira-classe com uma pá a enxotá-lo para trás. Havia pessoas da 3ª classe que estavam a entrar para um desses guindastes que tinham para fazer içar coisas. Estes passageiros arrastavam-se para tentarem subir para o convés do barco. O portão estava fechado e por isso não podiam ir por lá.

Dorothy - Isto está muito mau. Vamos pela porta do fundo.

Edward - Dorothy, concedes-me esta dança? É o melhor naufrágio de toda a minha vida.

George - Chegámos tarde.
John - Graças a Deus.
Arthur - Há mais botes lá à frente. É a nossa chance.
George - Vamos.
Vi todos com os coletes salva-vidas menos eu. Arrependi-me fui buscar um. Tinha escondido um colete salva-vidas e fui à procura dele. Quando voltei, a água já tinha subido três degraus das escadas. Vi um homem a cambalear e a segurar uma garrafa de gim Gordon, a levá-la a boca e a esvaziá-la de uma vez.
Richard - Mesmo que me veja livre desta encrenca, nunca mais verei este homem.
Na realidade, foi um dos primeiros sobreviventes que encontrei.
Lightoller - Mantenham a ordem! Para trás! Para trás!
- Alto, mulher!
Lightoller - Puxem-na para bordo! Voltem para trás, ou mato-vos como cães! Mantenham a ordem! Mantenham a ordem, disse eu! Só ha mulheres e crianças no bote. Sr. Lowe, controle este bote, pegue num remo.
Lowe - Eu não.
Lightoller - Entre no bote, é lá preciso. É uma ordem.
Lowe - Certo. Estão todos bem? Não entrem em pânico.
Lightoller - Para trás! Para trás!
Murdoch - Fiquem aí.
- De uma vez por todas, mandem-nos para um sítio que nós vamos para lá! Você mandou-nos subir e agora está a mandar-nos para baixo outra vez!
Moody - Está bem?
Dorothy - Sim, obrigado.
- Cortem a corda! Estamos presos! Parem de descer o 15! Estamos presos!
Barrett - Não baixem! Cortem os nós!
Lowe - Sentem-se! Para trás! Para trás todos vocês!
Naquele barco entrou um homem vestido de mulher. E o ofcial Lowe que estava encarregue dos salva-vidas virou-se e disse:
Lowe - Tenho um bom motivo para lhe dar um tiro, podia ter virado o barco e todos os que vão nele.
Ao dizer isto, disparou dois tiros para o lado do navio.
- Senhor oficial, não dispare, por favor, não mate o pobre homem!
Lowe - Se mais alguém tentar isso, dou-lhe um tiro!
Murdoch - Lá para trás! Lá para trás! Primeiro vão as mulheres!
Phillips - Vem o mais depressa possível, meu velho, a casa das máquinas está inundada até às caldeiras!
Murdoch - Saiam daqui! Pirem-se!
Soltaram os animais de estimação dos passageiros que corriam pelo convés. Junto à entrada de vante da grande escadaria, entre a primeira e a segunda chaminé, a orquestra, agora de coletes vestidos por cima dos capotes, tocava ragtime.
Clark - Que importa? Ninguém está a ouvir.
Wallace - Ao jantar também não ouvem. Vamos tocar. Mantem-nos quentes. "Orpheus"!
A senhora Hellen mantinha-se no salão atordoada.

1 comentário:

Alencar disse...

Algumas falas não tem o personagem. Isso são falas de alguém, tipo no filme, uma fala ao fundo do que ta acontecendo?

O casal "David e Hellen" são ordinários, tomara que morram, hehehe.

Coitadinho dos cachorrinhos, lendo lembrei-me do Duke. Deu uma saudade agora.

Eu não acredito que o David vai se salvar!!!!

Parabéns amigo, ta excelente....