domingo, abril 02, 2006

TITANIC
Carpathia 2h55
Dean - Que lhes terá acontecido?
Capt. Rostron - Não faço a menor ideia. E. J. Smith é o melhor comandante destas águas.
Dean - Talvez ninguém domine o mar.
Bisset - Gelo à vante!
Capt. Rostron - Virar quando eu disser.
Dean - Quanto tempo conseguirão resistir nesta água gelada?
Capt. Rostron - Não muito. Talvez uns minutos.
Dean - Uma morte suave.
Capt. Rostron - Não sei se isso existe. Queriamos voltar lá e salvar pelo menos alguns. Mas sabiamos que era impossivel, o barco estava cheio de gente e voltar atrás era o mesmo que nos afundar-mos. Experimentámos cantar, mas não havia disposição para cantar naquela altura.
- Morreu mais um aqui. Não podemos deitá-lo ao mar para arranjar espaço?
Lightoller - Vê quem é?
- O operador de rádio. Phillips, não é?
Bride - Ele só queria ver o mundo.
Lightoller - Tape-o com qualquer coisa e veja se consegue ficar com ele. É um local sagrado, onde alguns desolaram pelas pessoas a se afogarem. Nós ficamos a longa distância. Finalmente estávamos afastados, afastados do desastre e afastados daquelas pessoas, é claro que não tinhamos bússulas, não tinhamos comida e que supostamente deviamos ter. Estavamos espalhados por todo o lado. Os fogueiros iam a remar e tinham camisolas de manga curta porque estava muito calor na casa das máquinas. E naquela altura tinham muito frio. O oficial pediu à minha mãe se não lhes dava os seus cobertores para tapar os fogueiros e aquecê-los, é claro que remar também era uma coisa que os mantinha quentes.
Carpathia
Capt. Rostron - Não há problema connosco, vamos ajudar um navio em dificuldades.
Hughes - Cada homem no seu posto e que cumpra o seu dever como um verdadeiro inglês. Se a situação o exigir, vamos acrescentar mais uma página à gloriosa História da Grã-Bretanha.
Dr. Mcghee - Faça favor de permanecer no seu camarote. Ordens do comandante.
Sr. Ogden - Muito bem, mas o que é que se passa?
Dr. McGhee - Houve um acidente, mas não com o nosso navio. Não saia.
Brown - O Titanic sofreu um acidente.
Sr. Ogden - Essa não pega! O Titanic está na rota do norte e nós na do sul.
Brown - Navegamos para norte como diabos. Volte para o seu camarote.
Sra. Ogden - Tu acreditas nisso?
Sr. Ogden - Não. Levanta-te e veste roupas mais quentes.
Ao ver passar um icebergue enorme junto à amurada de estibordo do Carpathia um homem gritou:
- Gente! Vejam o urso polar a coçar-se com um pedaço de gelo!
Não teve muita piada, mas os homens soltaram gargalhadas enquanto o Carpathia arremetia contra as ondas. Richard - Está tudo calmo.
George - São só mais uns minutos...
Richard - Tenho tanto frio...
George - Escuta, Richard, vais sair daqui, daqui a pouco estás num navio quentinho a beber chocolate quente.
Richard - Já não sinto o corpo.
George - Matém-te a falar comigo.
Como é que alguém que procurou refúgio naquele barco virado naquela noite conseguiu sobreviver, é quase um milagre, alguns perderam a consciência e escorregaram para a água, ninguém estava em condições de ajudá-los. A maioria das pessoas não morreu por afogamento, mas morreram por causa da água gelada. A tripulação fez o que pôde para proporcionar algum conforto às mulheres. Um marinheiro tirou as meias e deu-as à minha mãe. Quando ela olhou com gratidão, incrédula, ele explicou:
- Posso afirmar-lhe, minha senhora, que estão perfeitamente limpas. Só as calcei esta manhã. O oficial Lowe, afirmou que haviam tantas corpos a flutuar, à superfície que se tornava difícil remar entre eles.
- Em frente.
Lowe - Remos! Vêem algum movimento?
- Não. Nada se move.
Lowe - Verifiquem os corpos. Traga esse remo aqui. Verifiquem para ter a certeza.
- Estes estão mortos. Lowe - Abram caminho. Devagar. Cuidado com os remos. Não lhes batam com eles. Está alguém vivo aí? Alguém me ouve? Está alguém vivo aí? Esperámos de mais... Continuem a verificar! Procurem! Está alguém vivo? Alguém chama pelo bote de Lowe. Lowe - Estou a vê-lo! Remem! Remem! Remem! Com toda a força! Estou a vê-lo! Com toda a força! Vejam se se esforçam! Manter posição! Um sobrevivente de água fria! Traga-o. Ajude-o a entrar. Traga-lo logo!
- Puxe-o para cá. Lowe - Agora cubra-o com esses cobertores. Mantenha-o quente.
- Estão uns cobertores aqui. Cubra-o.
Richard - Pai... pai... Vem aí um bote pai. Lightoller - É um bote. Vem aí um bote.
Richard - Voltem, voltem... Voltem...
Lowe - Alguém está a ouvir?
- Não há sinais de vida.
Richard - Voltem. Voltem.
George - Aqui! Ajudem-nos! Ajudem-nos!
- Ouvi alguém ali!
Lowe - Onde? É tarde demais. Estão todos mortos. Viemos muito tarde.
Lightoller pegou no apito que trazia e soprou em plenos pulmões.
Lowe - Voltem atrás!
Alguns de nós foram recolhidos pelo bote. Margaret - Uma luz! Ó do barco! Ó do barco!
Hitchens - Cale-se, é só uma estrela cadente.
Margaret - É um foguete iluminante. Olhem outro! É um navio. Disparem outro. Eu não vou morrer neste barquinho miserável. Acalme-se. Vem aí ajuda. Há um navio perto daqui.
Hitchens - Não viram os foguetes e acha que vão ver botes rentes à água?
Margaret - Nós remamos em direcção a eles, não é, minhas senhoras? Duas para cada remo. Sente-se aqui. És um mocetão forte, podes dar uma ajuda.
- Muito frio.
Margaret - Estás a tremer de frio.
Hitchens - Sente-se, quem manda aqui sou eu. Mulher de um raio!
Margaret - Se chegar mais perto atiro-o borda fora! Vamos, todas ao mesmo tempo. Um, dois. - Eu vi uma luz a piscar!
Camille - Ouvi um disparo! John, acorda, vem lá um navio, acorda.
- Não nos vêem.
Camille - Vamos fazer com que nos vejam. Acenem com lanternas. Vamos pôr toalhas ou cobertores nos remos e pegar-lhes fogo. E gritem o mais alto que puderem. Havia pouco espaço, fiquei ali deitado sem me preocupar com o que havia acontecido, então alguém disse que devíamos rezar.
- Não acham que devíamos rezar?
Cada um invocou a sua religião e ficou decidido que a oração mais apropriada seria o Pai Nosso. Rezámos em coro.
- Oremos a Deus, porque vejo um navio no horizonte e vem na nossa direcção. Então vimos uma luz a mover-se lentamente no mar, logo a seguir uma segunda luz mais abaixo. Parecia bom demais para ser verdade. Acho que todos ficaram com lágrimas nos olhos, tanto homens como mulheres. À nossa volta ouvíamos gritos de contentamento. Havia um homem de quem não sei o nome que tentei ajudar. Mas ele deslizou para a água. O belo cão negro da Terra Nova que eu vi na água, tinha saltado do convés do Titanic a afundar-se e guiou um salva-vidas para o Carpathia a latir alegremente para avisar o Comandante. Às quatro horas tinham chegado. Outro foguete verde foi disparado de um dos salva-vidas nesse preciso momento.
Carpathia
Capt. Rostron - Vi uma luz! Ainda devem estar a flutuar!
George - Richard... Ajudem-me a puxá-lo para bordo. Agarra-te à minha mão, Richard. Eu puxo-te, não tenhas medo. Já está. Conseguimos. Aguenta firme. Segura-te bem, não me largues. Só sei uma coisa. Adoro-te.
Lowe - Não está bem da cabeça. Mesmo nada bem.
George - Onde está ele? Richard, eu sei que estavas aqui. Senti o teu corpo. Não sonhei. Richard! Richard - Não, não sonhaste. Estou aqui.
O oficial Lowe pegou-o pelos ombros, ergueu-o e abanou-o e disse que estávamos a ver um navio.
Lowe - Veja! Já temos um navio à vista, anime-se!
Ele respondeu:
George - Quem é você? Deixe-me estar, quem é você?
Ao fim de aproximadamente meia-hora, ele morreu.
Música: Memories of Green - Álbum: Themes - Compositor: Vangelis

1 comentário:

Alencar disse...

Que pena o George morrer. Não gostei.
Sei que na realidade pode ter tido várias histórias parecidas e não podemos mudar o destinos dessas pessoas, mas na ficção sempre tentamos salva-las.
Parabéns.