quinta-feira, dezembro 01, 2005

O RETORNO DO TITANIC
Em 1986, o oceanógrafo americano Bob Ballard surpreendeu o mundo ao mostrar as primeiras imagens do Titanic naufragado, a 3.658 metros de profundidade no Atlântico Norte, perto da Ilha de Terra Nova, no Canadá. Da embarcação de 46.000 toneladas sumiram peças, ornamentos, baús contendo jóias e até mesmo uma placa de bronze colocada por Ballard no fundo do mar na primeira expedição. 'Não foi a maré que levou nem o sal que decompôs, foi o homem que arrancou', garantiu ele em entrevista a ÉPOCA. Sinais de arrombamento e ferros retorcidos são provas físicas de que os objetos foram violentamente retirados da embarcação. 'A ação do homem consegue ser predatória até debaixo d'água', lamentou o explorador, ainda no navio de pesquisas da Agência Americana de Controle Oceânico e Atmosférico, entidade que luta pela preservação do que restou. Desde que Ballard identificou o local exato do naufrágio e publicou as coordenadas, mais de 50 expedições foram visitá-lo. Esses exploradores, no entanto, queriam mais que imagens emblemáticas do que já foi o mais luxuoso e moderno transatlântico da História. Desejavam uma prova material - uma peça de roupa de valor simbólico ou, com um pouco de sorte, jóias que pertenceram aos viajantes. 'Pescar uma lembrancinha do Titanic passou a ser uma prática comum', assinalou Ballard. O retorno ao transatlântico que se chocou com um iceberg em abril de 1912 mostrou também que as forças da natureza vêm colaborando para o fim precoce do Titanic. Os escombros estão em estágio avançado de decomposição, bem mais que o esperado para seus 93 anos de submersão. A causa, além da ação predatória dos homens, seriam microrganismos marinhos ainda desconhecidos. Bob Ballard chegou a essa conclusão depois de comparar imagens atuais com as feitas em 1986. Para isso, o explorador contou com a ajuda de três robôs: o Pequeno Hércules, com seis câmeras articuláveis de alta resolução; o grandalhão Argus, conhecido como robô-holofote; e o Grande Hércules, o robô-pá, que recolheu amostras orgânicas coladas ao casco da embarcação, destinadas a estudos científicos. 'A intenção é entender as condições de um ambiente tão inóspito e desenvolver soluções químicas capazes de retardar a decomposição', explicou. Estima-se que tenham sido gastos mais de US$ 900 mil na expedição, que só se tornou viável graças a um sistema de comunicação poderoso, desenvolvido exclusivamente para explorações oceânicas. Preparado pela EDS, uma empresa de tecnologia da informação, o aparato possibilitou que a expedição fosse acompanhada em tempo real pela internet e pela TV. Mais de 150 mil alunos embarcaram numa aventura virtual a bordo do Hércules, e mais de 1,5 milhão de telespectadores do mundo inteiro assistiram ao vivo, na semana passada, às imagens da mais recente descida ao Titanic pelo canal National Geographic. Considerado o pesquisador marinho mais importante da atualidade, Ballard, já liderou 110 expedições ao fundo do mar. Descobriu, por exemplo, as fendas hidrotermais de Galápagos e o encouraçado alemão Bismarck, naufragado durante a Segunda Guerra Mundial, 968 quilômetros a oeste do Porto de Brest, na França. Agora ele vai explorar os navios submersos da Antigüidade. Mas diz que sua luta continuará sendo pela preservação do Titanic, ameaçado pelo homem e pela natureza.

1 comentário:

Alencar disse...

Muito legal o post de hoje.
Esse Bob Ballard é um aventureiro mesmo.
Tchau.......